segunda-feira, 1 de abril de 2013

Sofrimento silênciado: Hipersexualização, estupros e violência doméstica.

As mulheres indígenas são as principais vítima de violência sexual, apresentam a maior taxa entre mulheres: 1 em cada 3 será estuprada ao longo da vida. (Relatório da ONU)
> As mulheres indígenas lideram os índices de mortalidade materna. (Relatório da ONU)
> Meninas indígenas têm a menor probabilidade de completar a educação primária e secundária. A porcentagem das que terminaram a escola varia entre 6% e 8%. Apenas 1 em cada 10 meninas indígenas termina a escola secundária (Relatório da CIDH)
> No Mato Grosso do Sul, os casos registrados de violência doméstica contra mulheres indígenas aumentaram quase 600% entre 2010 e 2015 (sim, 600%) (Relatório da CIDH)
> Crianças indígenas lideram os índices de mortalidade infantil (Dados da ONU e do SINASC do SUS).
foto: shutterstock
Para além das estatísticas oficiais, há a enorme taxa de crianças e adolescentes indígenas em situação de prostituição no país, além de serem as pessoas mais vulneráveis para o tráfico humano.
Tudo isso se relaciona com a
- a objetificação faz com que (principalmente) os homens (não-indígenas) nos enxerguem como seus objetos sexuais e, portanto, sua propriedade, gerando um ciclo de constantes violências.
No Mato Grosso do Sul, por exemplo, não-indígenas concebiam/concebem mulheres indígenas como "prostituta" ou "prostituível"¹. Outro exemplo é a escravidão sexual de mulheres indígenas como regra no sistema de aviamento no ciclo da borracha².
- a naturalização da hipersexualização de mulheres indígenas cria um cenário de apagamento e invisibilidade em torno de nossas pautas e reivindicações, prejudicando o avanço do próprio debate referente aos temas. Além disso, de modo geral, somos excluídas dos dados e estatísticas oficiais.
- criam-se estereótipos sobre as mulheres indígenas, como, por exemplo, de que o "sexo com índia é mais selvagem", além das diversas representações estereotipadas e romantizadas sobre mulheres indígenas em músicas:
"Índia, seus cabelos nos ombros caídos,
negros como a noite que não tem luar, seus lábios de rosa para mim sorrindo e a doce meiguice do olhar. Índia da pele morena, sua boca pequena eu quero beijar"
Ou mesmo na literatura brasileira: as famosas Gabriela e Iracema.
É um debate longo, isso é só um texto sem pretensão de apresentar uma tese acadêmica, apenas instigando a reflexão e investigação acerca dessas questões.
Por fim, é preciso
1) combater a invisibilidade de nossas pautas atualmente e o apagamento de 517 anos de violências e violações para que possamos avançar em nossa luta;
2) romper com a imagem romantizada da "índia", reforçada pelo indigenismo brasileiro, e evidenciar que essas histórias não são de amor, mas de violência;
3) respeitar nossas ancestrais guerreiras que resistiram bravamente contra os invasores e não as caricaturar ou transformar em algum tipo de símbolo sexual, como infelizmente acontece com a Pocahontas.

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por Lais  Zinha
¹ SIMONIAN, L. (1994). Mulheres indígenas vítimas de violência, Papers do NAEA: Belém, n. 30
² MEIRA, M. A. F. de. (2017). A persistência do aviamento: colonialismo e história indígena no noroeste amazônico, UNIRIO: Rio de Janeiro


CAMPANHA!
CHEGA DE HIPERSEXUALIZAÇÃO!...
CHEGA DE SILÊNCIO!
#MIchegadesilencio HASHTAG DA CAMPANHA CONTRA A VIOLENCIA E HIPERSEXUALIZAÇÃO DA MULHER INDIGENA
* Poste uma foto sua com a #MIchegadesilencio se quiser, conte sua historia.
exemplo: "Meu nome é ------ e eu já fui abusada!"
"Meu nome é ------ e eu odeio quando dizem que o sexo comigo deve ser selvagem"
SINTA-SE a vontade para falar ou se preferir apenas poste uma foto sua nas redes sociais com a #MIchegadesilencio ou escreva a hashatg em seu corpo e poste a foto.
JUNTAS SOMOS MAIS FORTES!